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03-03-2026
Comissão Europeia avalia impacto do MEDIA e debate futuro do financiamento audiovisual europeu

A Comissão Europeia apresentou, no European Film Market, em Berlim, os resultados da mais recente avaliação do Programa Europa Criativa MEDIA, destacando o impacto cultural e industrial do financiamento europeu entre 2014 e 2020 e analisando o desempenho intermédio do ciclo 2021-2027.

A sessão, intitulada “Creative Europe – MEDIA: Lessons for the Future”, integrou a programação do mercado profissional que decorreu no âmbito do Festival Internacional de Cinema de Berlim e reuniu representantes institucionais e profissionais do sector audiovisual europeu para debater o futuro do financiamento comunitário.

Na abertura, Sophie Beernaerts, directora da Agência de Execução Europeia da Educação e da Cultura, sublinhou os 35 anos de percurso do programa MEDIA, considerando-o um instrumento determinante para a competitividade e visibilidade das obras europeias num mercado global marcado por tensões geopolíticas e riscos de desinformação. Defendeu, contudo, a necessidade de adaptar o programa às transformações do sector, nomeadamente no que respeita à circulação transfronteiriça e ao acesso a públicos mais jovens.

A apresentação técnica coube a Erika Jakab, responsável de políticas na Direção-Geral das Redes de Comunicação, Conteúdos e Tecnologias da Comissão Europeia. A avaliação incidiu sobre uma década de execução do programa, procurando identificar resultados, fragilidades e oportunidades de melhoria. Entre os indicadores destacados, sobressai o reconhecimento internacional das obras apoiadas. Filmes financiados pelo MEDIA acumularam cerca de 1.200 nomeações e 500 prémios em festivais e eventos internacionais, reflectindo a sua competitividade global. No domínio da exibição, as salas integradas na rede Europa Cinemas foram responsáveis por quase 40% dos bilhetes vendidos para filmes europeus não nacionais.

A análise comparativa entre projectos apoiados e não apoiados indica que as obras financiadas pelo MEDIA circulam, em média, por mais territórios: 

  • Mais 6,6 países em sala
  • Até mais 9,5 países em televisão
  • Mais 3,2 países em plataformas de vídeo a pedido
  • Cerca de 30% das obras apoiadas garantiram lançamento comercial

Apesar de baseados em modelos de projecção, estes dados apontam para um contributo significativo do programa na exposição transnacional das produções europeias.

No entanto, a Comissão reconhece limitações. Apesar de um aumento de 66% no orçamento do Programa Europa Criativa para 2021-2027, que totaliza 2,44 mil milhões de euros, o MEDIA representa apenas uma parcela do financiamento público global ao audiovisual europeu. A intervenção europeia deverá, por isso, manter-se estratégica e complementar aos sistemas nacionais.

Entre os desafios identificados está o desfasamento entre a disponibilidade de obras europeias nas plataformas de streaming e o seu efectivo consumo, bem como a complexidade administrativa dos processos de candidatura. Estão em curso discussões para simplificar procedimentos e melhorar os mecanismos de acesso ao financiamento.

A Comissão destacou ainda a necessidade de acompanhar as mudanças geracionais nos hábitos de consumo mediático, com especial atenção ao reforço do apoio aos videojogos e a novos formatos digitais, numa estratégia que responda à concorrência global e estimule o investimento em inovação no sector europeu.

O debate foi aprofundado num painel com representantes dos sectores da distribuição, exibição, produção e promoção internacional, que sublinharam a importância da colaboração intersectorial e da coordenação entre financiamentos nacionais, europeus e privados.

Com a preparação do próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia para o período 2028-2034 em curso, a sessão evidenciou o papel central do financiamento europeu na política audiovisual. O futuro do MEDIA dependerá do equilíbrio entre continuidade e adaptação, assegurando a circulação das obras europeias num mercado cada vez mais fragmentado e competitivo.

* resumo de um artigo escrito por Davide Abbatescianni para o site Cineuropa (aceder aqui)

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